Oposição se une no Ceará e já discute nomes para eleições em 2014


Se havia alguma dúvida de que a eleição do próximo ano já está fervendo nos bastidores da política, as movimentações da oposição ao governador Cid Gomes (Pros) tratam de desfazer a incerteza. Nas últimas semanas, algumas das principais lideranças políticas do Estado - de diferentes matizes partidárias -, vêm se reunindo para discutir candidaturas e traçar estratégias para 2014. Até mesmo os nomes já foram indicados e serão discutidos nos próximos encontros. PR, PSB e PSDB devem sair juntos na chapa majoritária para enfrentar Cid.

Na segunda-feira, 11, uma reunião na casa do ex-prefeito de Maranacaú, Roberto Pessoa (PR), reuniu quase todos os principais desafetos políticos do governador. Além do próprio Pessoa, participaram o presidente estadual do PSDB, Luiz Pontes, os deputados estaduais Heitor Férrer (PDT) e Dr. Guimarães (PV), o presidente estadual do PSB, Sérgio Novais, o presidente eleito do PT municipal, Elmano de Freitas, o articulador petista Valdemir Catanho e o vereador Capitão Wagner (PR).

Poucos dias antes, em outra reunião com alguns membros do grupo, o ex-governador Lúcio Alcântara (PR) também esteve presente. Novo encontro deve ocorrer até a próxima sexta-feira. Ontem, Novais e Pessoa conversaram reservadamente. “Essas reuniões vão desembocar naturalmente na formação da chapa majoritária das oposições”, adianta Roberto Pessoa, organizador do grupo. De acordo com ele, já existe um pré-acordo entre PR, PSB e PSDB para que os três partidos saiam juntos na eleição para governador e senador. As três siglas vão se reunir quinzenalmente para afinar o acordo e decidir os candidatos. A ideia é que, até o fim de dezembro, haja a definição.

Nomes
Cada um dos três partidos já colocou seus nomes na mesa de discussão. O PR indicou Capitão Wagner ou Roberto Pessoa para governador e Lúcio Alcântara para o senador; O PSDB apresentou Luiz Pontes para o Governo e Tasso Jereissati para o Senado; o PSB sugeriu Nicolle Barbosa para a disputa estadual e Geovana Cartaxo para o Senado.

Desses nomes, apenas dois devem sair candidatos pelo bloco, sendo um para o Governo do Estado e um para o Senado. O presidente estadual do PRB, Miguel Dias, ainda não participou das reuniões, mas está acompanhando tudo via telefone e será convidado para o próximo encontro. O PRB rompeu recentemente com Cid e é hoje mais próximo ao senador Eunício Oliveira (PMDB). Dias, aliás, é segundo suplente de Eunício no Senado. O primeiro é Catanho.

 Quando

ENTENDA A NOTÍCIA

As articulações entre as forças oposicionistas ganham força e velocidade porque ocupar espaços, a pouco menos de um ano da eleição, muitas vezes representa um passo decisivo para uma vitória nas urnas.

 Governo
Roberto Pessoa. Ex-prefeito de Maranacaú, é um dos principais adversários políticos de Cid.

Luiz Pontes (PSDB). Ex-senador, foi uma das poucas lideranças que permaneceu no PSDB após a debandada de filiados para outros partidos.

Capitão Wagner (PR). Atualmente vereador,é um dos principais líderes dos militares no Ceará

Nicolle Barbosa (PSB). Empresária e presidente do Centro Industrial do Ceará (CIC), assumiu a presidência do PSB municipal após o grupo do Cid ir para o Pros.

Senado
Tasso Jereissati (PSDB) - Ex-governador e ex-senador, teve longa trajetória de apoio a Cid, mas rompeu com ele em 2010, após o governador decidir apoiar para o Senado a dupla Eunício e José Pimentel, que venceu a eleição. Recentemente, utilizou as inserções do PSDB para reaparecer, fazendo duras críticas à atual gestão. A reação de Cid no Facebook reacendeu a tensão entre os dois.

Lúcio Alcântara (PR) - Ex-governador, foi derrotado por Cid quando tentava a reeleição para o Governo do Estado, em 2006. Na época, Lúcio estava no PSDB, mas não teve o apoio de Tasso, que rompeu com ele para apoiar Cid.

Geovana Cartaxo (PSB) - Ambientalista e professora da UFC, faz parte do grupo da Rede Sustentabilidade, idealizado pela ex-senadora Marina Silva e integrado ao PSB após ser barrado na Justiça Eleitoral.

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Eunício

Roberto Pessoa diz que o desejo inicial do grupo era contar com o senador Eunício Oliveira, provável candidato ao Governo. Porém, segundo ele, na última reunião com Eunício, o senador disse que só definiria sua candidatura em abril. “Achamos muito tarde”, diz Pessoa.

Elmano

Elmano de Freitas afirma que não participou da reunião como “representante do PT”, mas como “liderança política”. Para ele, conversas do tipo neste momento são normais e continuarão ocorrendo.

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